Igrejinha de Copacabana

A igrejinha de Copacabana ficava situada no promontório onde está hoje o Forte de Copacabana, cuja pedra fundamental foi lançada a 6 de janeiro de 1908, sendo Presidente da República o Dr. Afonso Augusto Moreira Pena e Ministro da Guerra o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, para ser inaugurado a 28 de setembro de 1914, quando Chefe da Nação o próprio Marechal Hermes da Fonseca. A Igrejinha foi desapropriada pelo Decreto n.º 12.924, de 20 de março de 1918, pela quantia de 80 contos de réis, tendo sido demolida nesse mesmo ano. A imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi, então, recolhida pela família Tefé à sua residência em Correias, Petrópolis.

O tempo apagou o nome do fundador e a data em que foi edificada a Igrejinha. Sabe-se, porém, que era antiquíssima. Já em 1732 o bispo frei Antônio de Guadalupe, estando a ermida em ruínas, ordenava consertos no telhado, paredes e alpendres. E, em 1746, ocorreu o seguinte fato:

Regressava o bispo frei Antônio do Desterro de uma viagem a Angola, quando, à entrada da baía, o navio que o conduzia, colhido por forte tempestade, foi impelido até fora da barra. No momento do perigo, vendo de longe a Igrejinha, em destroços, o bispo implorou o amparo de Nossa Senhora de Copacabana, prometendo restaurá-la se o mar enfurecido não o tragasse. Salvou-se e cumpriu a promessa, reconstruindo o santuário.

Distante da cidade, sem meios fáceis de comunicação, jazia, porém, a velha ermida como que abandonada, frente à imensidão do oceano. Desabrigada para resistir ao embate dos ventos e das chuvas, ia a Igrejinha mais uma vez em decadência, quando sucedeu este outro fato:

Em fins de agosto de 1858, espalhou-se pela cidade o boato de terem dado à costa, na praia de Copacabana, duas imensas baleias. Todo mundo correu até lá, não faltando o próprio Imperador D. Pedro II. Durante três dias e três noites, houve verdadeira romaria de curiosos – uns a pé, outros a cavalo, outros em carroças, seges, carruagens, etc.

Segundo Vieira Fazenda, as cocheiras do Rio tiveram o seu São Miguel, não escapando sequer os magros burros carregadores de carvão!

Armaram-se na praia barracas de comes e bebes; acenderam-se fogueiras, ao clarão das quais todos dançaram e cantaram.

Quanto aos cetáceos, nada! Ninguém viu baleias, mas, em compensação, muita gente ficou conhecendo Copacabana. Verificado o mau estado da Igrejinha, foi ela novamente reconstruída, desta vez com esmolas dos fiéis.

No começo deste século – é Gastão Cruls quem conta – quando já se chegava mais facilmente a Copacabana, era muito do gosto da nossa gente ir assistir à Missa do Galo na pitoresca Igrejinha, que se destacava muito branca sobre o socalco rochoso constantemente batido pelas ondas. E dessa mesma gente, não poucos eram aqueles que, depois de ficar bem com Deus, iam beber e dançar no “Mère-Louise”, um restaurante-bar que, ali bem perto, funcionava dia e noite e, previdentemente, tinha uns aposentos para “descanso” dos casais que se sentissem afrontados pelo ar do mar…

A fotografia mostra a Igrejinha, em 1890. Havia então ali sete peças de artilharia, cinco grandes e duas pequenas, abandonadas e já quase soterradas pela areia. Eram do tempo do vice-rei D. Luiz de Almeida Portugal, Marquês de Lavradio (1769-1779), que estabelecera redutos em vários pontos da praia para opor resistência a tropas inimigas que, conseguindo desembarcar na antiga Sacupenopan, procurassem atingir o centro da cidade.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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