Iluminação Elétrica da Rua do Ouvidor

A NOTA predominante na noite de sábado, 18 de fevereiro de 1911, no Rio de Janeiro, foi, sem dúvida alguma, a inauguração da iluminação elétrica na Rua do Ouvidor. Nem se podia compreender que a tradicional artéria, onde o “snobismo” carioca pontificara desde os tempos em que nela morava o ouvidor-mor da Comarca, continuasse sob a luz mortiça dos combustores a gás de 1854, enquanto nas outras vias públicas, uma orgia de luz deslumbrava a vista dos transeuntes.

A cerimônia da inauguração, que se revestiu de toda a solenidade, teve lugar às 8 ½ da noite, com a presença do Dr. José Joaquim Seabra, Ministro da Viação, do Dr. Otto de Alencar, Inspetor Geral da Iluminação, e grande número de pessoas.

Àquela hora, o Dr. Otto de Alencar fez acender, simultaneamente, todas as lâmpadas, que eram em número de 26 e tinham a força de 500 velas cada uma. Devido à estreiteza da rua, foram elas suspensas em arcos presos às paredes dos prédios em cada lado, distando um arco do outro cerca de 6 metros e tendo cada um deles uma lâmpada ao centro.

Depois de todas acesas, “inundando a mais genuína das ruas cariocas num banho de luz suave e feérico”, o Dr. J. J. Seabra e as demais pessoas que o acompanhavam percorreram a pé este logradouro, desde o Largo de São Francisco, a fim de melhor observarem o efeito ela nova iluminação.

Na esquina da Rua Uruguaiana, em frente à Casa Raunier (onde é hoje a Casa o Edifício Sloper), o Ministro recebeu uma braçada de flores de um grupo de senhoras.

Rumaram todos, depois, para a antiga Confeitaria Pascoal, na esquina da Rua Gonçalves Dias, onde, no salão de banquetes, os proprietários desse estabelecimento lhes ofereceram “champanhe”.

Pelo Dr. Faria Rocha, diretor interino dos Correios, foi então brindado o Ministro da Viação pelo melhoramento que acabava de inaugurar. S. Exa. agradeceu, declarando que o aludido melhoramento era devido principalmente ao Inspetor da Iluminação e ao Sr. Alexander Mackenzie, diretor da “Light”, também ali presente.

A fotografia mostra um trecho da Rua do Ouvidor, no fim do século passado XIX.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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