Palácio Monroe

O Palácio Monroe tem o seu nome ligado ao quinto Presidente da República dos Estados Unidos da América do Norte, James Monroe, eleito em 1816 e reeleito em 1820.

Como todos sabem, Monroe foi o autor da famosa doutrina, segundo a qual os continentes deste hemisfério repelem a intervenção da Europa nos negócios da América (“A América para os Americanos”). O Brasil foi o primeiro país do nosso continente a aderir a essa proclamação.

Das Parlamentsgebäude der damaligen Hauptstadt Brasiliens. (Pálácio Monroe, via The European Library, Der Senat. Heydecker, Joe J. Österreichische Nationalbibliothek – Austrian National Library. In Copyright.)

O Palácio Monroe é uma reprodução exata do pavilhão brasileiro que figurou na “Louisiana Purchase Exposition”, de São Luiz, Estado de Missouri, em 1904, realizada em comemoração do centenário da aquisição do imenso território da Louisiana (o dobro do Amazonas ou de Mato Grosso), que James Monroe negociara com a França em 1803, pelo preço de quinze milhões de dólares.

Nesse grandioso certame fizeram-se representar quase todos os Estados da União Norte-Americana, e mais de 50 países das cinco partes do Mundo.

A concepção arquitetônica do edifício é do general Francisco Marcelino de Sousa Aguiar (mais tarde Prefeito do Distrito Federal). O da América do Norte foi inaugurado no dia 24 de maio de 1904; o nosso, a 23 de julho de 1906, tendo sido grande o aproveitamento do material daquele pavilhão.

Nesta última data, realizou-se, no Palácio Monroe, a memorável Terceira Conferência Pan-Americana. O discurso de abertura foi pronunciado pelo Barão do Rio Branco, sendo escolhido para presidir os trabalhos da Conferência o Dr. Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, Embaixador do Brasil em Washington. Achavam-se presentes os Srs. Elihu Root, Secretário de Estado norte-americano; Epifânio Portella, delegado da Argentina; Gonzalo Ramirez, do Uruguai; Manuel Gondra, do Paraguai; Ascencion Esquivel, da Costa Rica; Luiz Corrêa, da Nicarágua, e muitos outros diplomatas. Depois de grande atividade em sessões sucessivas, encerrou-se a Conferência no dia 27 de agosto, discursando ainda uma vez o Barão do Rio Branco.

Praça Floriano, com o Palácio Monroe ao fundo, via Library of Congress.

O Palácio Monroe serviu depois para diversas reuniões científicas, literárias e políticas, congressos nacionais e internacionais de médicos e de juristas, convenções religiosas, recepções solenes, festas de formatura, etc.

Em 1911, funcionou ali, durante algumas semanas, o Ministério da Viação; em 1914, a Câmara dos Deputados e, em 1922, a Comissão Executiva da Exposição do Centenário da Independência do Brasil.

Finalmente, no dia 27 de abril de 1925, após completa remodelação interna do edifício, foi solenemente entregue ao Senado Federal, que o ocupa até hoje.

Quem lhe deu o nome de “Palácio Monroe” foi o Barão do Rio Branco, em homenagem ao grande estadista americano.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Texto original

Adeus, Monroe

Inaugurado em 1906, o Palácio Monroe sediou o Senado de 1925 a 1960. Por sugestão do Barão do Rio Branco, foi batizado em homenagem a James Monroe, presidente norte-americano defensor da política de não intervenção. Com a inauguração de Brasília, o palácio passou a sediar o Estado-Maior das Forças Armadas. Em 1974, uma campanha pediu a demolição do prédio, acusado de atrapalhar o trânsito e as obras do metrô. Apesar da defesa feita por vários órgãos, entidades e senadores como Danton Jobim e Marcos Freire, o então presidente Ernesto Geisel autorizou sua demolição em 11 de outubro de 1975.

Fonte: Jornal do Senado Ano XVI – Nº 3.211 – Brasília, quarta-feira, 14 de abril de 2010.

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