Pavilhão Mourisco

O ANTIGO Pavilhão Mourisco ficava no fim da Avenida Beira-Mar, na Praia de Botafogo, defronte à Rua Voluntários da Pátria. Projetado pelo arquiteto Burnier, foi construído pela Municipalidade, no governo do Prefeito Francisco Pereira Passos. Destinara-se a “music-hall”, mas jamais passou de simples bar-restaurante, perseguido, como sempre foi, por incrível “caveira de burro”…

Adolfo Morales de Los Rios (Filho) esclarece que o seu estilo era tipicamente neo-persa, nada tendo de mourisco, como vulgar e erradamente foi denominado.

À noite, o Pavilhão era todo iluminado. No terraço, em torno, havia mesas, onde se bebia cerveja e refrescos. Na parte interna ficavam o salão de chá e o restaurante, para os jantares e as ceatas alegres nos discretos gabinetes reservados.

A fotografia mostra o Pavilhão Mourisco em 1907. O edifício era coberto por um grupo de cinco cúpulas douradas. Duas escadas de mármore davam acesso às varandas no primeiro pavimento, calçadas a ladrilho espanhol. Nas colunas ao lado das entradas e no teto decorado liam-se numerosas inscrições árabes. No porão alto ficavam as cozinhas, a despensa e a adega.

A pequena construção que se vê à esquerda era o “Guignol”, que fazia a delícia da petizada. Nas tardes de espetáculo, o teatrinho de marionetes era cercado pelas crianças. A hora de subir o pano, tomavam lugares nos bancos enfileirados diante do palco, o arrecadador de niqueis procedia à sua frutuosa diligência e o divertimento principiava, sob risadas gostosas da criançada.

Nos fundos do teatrinho havia um carrossel e um rinque de patinação.

Desaparecido há pouco pela ação da picareta civilizadora, o Pavilhão Mourisco há de ter deixado saudades em muita gente, pois foi um dos pontos de reunião elegante do Rio, do começo do novecentismo.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Texto original

Mapa