Pedra da Moreninha

A PEDRA da Moreninha é um dos atrativos da Ilha de Paquetá. Situada no fim da Praia dos Coqueiros (hoje Praia do Pintor Castagnetto), Joaquim Manuel de Macedo imortalizou-a no seu romance “A Moreninha”, publicado em 1844.

Macedo nasceu em Itaboraí, na antiga província do Rio de Janeiro, a 24 de junho de 1820. Diplomou-se em medicina, foi professor, jornalista, político militante, romancista, comediógrafo, poeta, folhetinista e historiador, alcançando a sua bibliografia mais de quarenta volumes publicados.

Usava ele barba cerrada, trazendo sempre escanhoado o lábio superior, e vestia indefectivelmente sobrecasaca e calça preta e chapéu alto de pêlo. Joaquim Manoel de Macedo faleceu em sua cidade natal, no dia 11 de abril de 1882, aos 62 anos.

Seu primeiro romance – “A Moreninha” – escrito quando ele tinha 24 anos de idade, fez época, celebrizando aquela pedra, onde tiveram lugar as principais cenas de amor da heroína do livro. Na verdade, o livro são páginas íntimas do amor do próprio Macedo por Dona Maria Catarina Sodré, com quem se casou somente depois de dez longos anos, devido à oposição do velho Sodré.

A Pedra da Moreninha, com o correr do tempo, passou a ser mais conhecida e comentada do que o romance que a tornou célebre.

Ainda no começo deste século, muitos forasteiros e turistas que iam em visita a Paquetá pediam licença à família que morava naquela praia para entrar na chácara e ver a Pedra da Moreninha. Nos domingos de passeio, então a importunação dos curiosos era um Deus nos acuda. A família via-se em palpos de aranha, à vista do grande número de pessoas que pretendia entrar pelo portão da chácara. Alguns, mais audaciosos, julgavam aquilo servidão pública, e invadiam a propriedade sem qualquer aviso.

A Prefeitura acabou desapropriando o imóvel e o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tombou a famosa pedra, declarando-a monumento histórico.

Há uma lenda, segundo a qual a moça casadoira que atirar para cima da Pedra da Moreninha uma pedrinha e esta ficar onde caiu, pode ter a certeza de que se casará dentro de um ano. Se, ao contrário, a pedrinha rolar e cair, a moça deverá jogar outra e, assim, sucessivamente, até que uma fique. Tantas pedrinhas roladas e perdidas, tantos anos de solteira…

“Tive ocasião de entreter relações de amizade com a viúva de Macedo – escreveu Ernesto Senna, em 1911. Falando-lhe do romance ‘A Moreninha’, exaltou com viva emoção as qualidades afetuosas do marido, a bondade de coração que lhe era inata, discorrendo com vivas demonstrações de sentimento as saudosas recordações daquela época de sua feliz juventude. Interrogada acerca do local assinalado por ‘Pedra da Moreninha’, na Ilha de Paquetá, a boa velhinha deixou transparecer um leve sorriso, declarando-me ser tudo aquilo… uma fantasia da imaginação romântica do seu esposo!”

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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