Petit Trianon

A CIDADE de Versalhes, situada ao norte da França, próximo de Paris, é mundialmente famosa pelo seu parque e seus dois palácios: o Grande Trianon e o Pequeno Trianon. O Grande Trianon foi construído em 1687, por ordem de Luiz XIV, e o Pequeno, em 1755, no reinado de Luiz XV.

Conta-se que, não sabendo este monarca como distrair o seu incurável e profundo tédio, acudiu à sua favorita, Madame Pompadour, a ideia de estabelecer, junto ao Grande Trianon, uma granja com vacas, pombos e galinhas. Depois, instalou, nas proximidades, um jardim botânico e, decorridos alguns anos, o rei completou esse conjunto com a construção do Pequeno Trianon.

Quando Luiz XVI subiu ao trono (1774), deu à sua mulher Maria Antonieta os dois Trianons, o menor dos quais a aprazia especialmente, ali permanecendo semanas inteiras. A rainha lá se encontrava, quando, a 5 de outubro de 1789, um pajem lhe anunciou o motim de Versalhes, que culminou na sua prisão e condenação à morte na guilhotina, pelo tribunal da Revolução.

Em 1922, quando se realizou, aqui no Rio de Janeiro, a Exposição Internacional comemorativa do primeiro centenário da Independência do Brasil, a França fez-se representar condignamente, construindo um atraente pavilhão, idêntico ao Pequeno Trianon.

Após o certame, o médico e homem de letras Dr. Júlio Afrânio Peixoto enamorou-se do edifício e sugeriu ao embaixador francês, Sr. Alexandre Robert Conty, sua doação à Academia Brasileira de Letras, da qual era presidente. A dádiva foi feita pelo Presidente do Conselho e pelo Presidente da República do país amigo, respectivamente, Srs. Raymond Poincaré e Alexandre Millerand.

No dia 15 de dezembro de 1923 (sábado), às 5 horas da tarde, realizou-se a cerimônia da entrega do imóvel à Academia. Constou a solenidade de uma sessão magna, a que compareceu grande número de senhoras e cavalheiros da nossa melhor sociedade.

Abriu a sessão o presidente da prestigiosa corporação, tendo à sua esquerda o Dr. João Luiz Alves, Ministro da Justiça e também acadêmico, e à direita o Embaixador da França, ocupando os demais lugares da mesa Humberto de Campos, Xavier Marques, Medeiros e Albuquerque e Gustavo Barroso.

Acentuou o Dr. Afrânio Peixoto, em seu belo discurso, que a Academia tinha, naquela sessão, a sua maior ou mais decisiva solenidade depois da sua fundação.

Seguindo-se com a palavra o Embaixador Conty (depois acadêmico correspondente), disse que aquela era uma homenagem duradoura que a França prestava ao Brasil. “Não nos propúnhamos apenas celebrar o Centenário da Independência deste grande país; tínhamos uma dívida de gratidão a saldar. Os franceses não podiam esquecer a presença da Missão Médica Brasileira à cabeceira dos feridos da Grande Guerra, trazendo-lhes os socorros da ciência e o conforto da solidariedade. Essa Missão deixou em Paris a marca permanente de sua estada: o Governo Brasileiro ofereceu à Escola de Medicina um estabelecimento hospitalar e científico admiravelmente organizado. A esta dádiva haveria de corresponder uma outra. Para simbolizar a sua amizade ao Brasil, para oferecer um presente que fosse uma perpétua lembrança de afeto, convinha à França dirigir-se a uma das entidades que encarnam a alma brasileira da maneira mais durável e elevada. A vossa Academia consagra-se às Belas Letras, isto é, ao culto da Arte; estais acima dos acidentes e das contingências de que são passíveis outras instituições, e acima das paixões que agitam as massas. Representais o órgão da Tradição e, por definição, sois Imortais”.

Finda a brilhante oração do Embaixador da França, a banda do Corpo de Bombeiros tocou a Marselhesa e o Hino Nacional.

A fotografia mostra o “Petit Trianon” em 1922, ainda com a bandeira francesa, na antiga Avenida das Nações (hoje Presidente Wilson). A fotografia mostra o “Petit Trianon” em 2012, usado pela Academia Brasileira de Letras como local para as reuniões regulares dos Acadêmicos e para as Sessões Solenes comemorativas e de posse de novos membros da ABL. Foi construído pela firma Monteiro & Aranha, em tempo recorde: 4 meses e alguns dias.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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