Primeiro Bonde

É DIFÍCIL precisar a data em que trafegou o primeiro bonde.

Consta que foi em 1832, nos Estados Unidos, quando apareceram em Nova York esses veículos de tração animal na linha para o bairro de Harlem. Em 1835, surgiram na cidade de Nova Orleans; em 1853, em Brooklyn; em 1856, em Massachusetts; em 1858, em Filadélfia, e em 1859, em Cincinatti, Baltimore e Chicago.

Na França, a experiência inicial foi realizada em 1853, pelo engenheiro Loubat, autorizando o Decreto de 18 de fevereiro de 1854 o estabelecimento, em Paris, desse meio de transporte.

Na Inglaterra, os “tramways” apareceram primeiro em Birkenhead, Londres e Staffordshire, respectivamente em 1860, 1861 e 1863. Depois do “Tramway Act”, votado pelo Parlamento em 1870, generalizou-se o emprego desses veículos naquele país.

Da Europa, o novo sistema de transporte estendeu-se à Austrália, Nova Zelândia, Índia, China, Japão e África do Sul.

Na América do Sul, foi o Rio de Janeiro a primeira cidade que cuidou desse melhoramento, cabendo-lhe a precedência em sua adoção.

O primeiro bonde puxado a burros que aqui trafegou foi da “Companhia de Carris de Ferro da Cidade à Boa-Vista na Tijuca” (ou “Companhia de Carris de Ferro da Tijuca”, como era simplesmente conhecida), na manhã de domingo do dia 30 de janeiro de 1859, pertencendo ao cidadão inglês Thomas Cochrane a iniciativa do empreendimento.

Escola Municipal Tiradentes

Nessa primeira viagem, para experiência da velocidade e segurança dos carros, entre a estação central na Rua do Conde (onde é hoje a Escola Municipal Tiradentes, na Rua Visconde do Rio Branco, 48) e o ponto terminal na Rua Conde de Bonfim (Pontos marcados no mapa abaixo), o percurso foi feito em 45 minutos, em razão do cuidado que foi necessário tomar para prevenir abalroamentos com outros veículos, que imprudentemente ocupavam o intervalo dos trilhos, apesar do aviso dado repetidas vezes pelo apito do cocheiro.

O transporte foi cômodo e suave, pois o terreno tinha sido nivelado do melhor modo, principalmente nas margens do Canal do Mangue, onde foi mister um grande aterro para solidificar, no lugar dos trilhos, a várzea pantanosa que aí existia.

Decorridos dois meses, no dia 26 de março de 1859, às 9 horas da manhã, com a presença do Imperador D. Pedro II e sua augusta esposa, inaugurou-se oficialmente a linha de carris de ferro da Tijuca.

A cerimônia da bênção dos carros e dos carris teve lugar na estação central da Rua do Conde. Terminado o ato religioso, seguiram Suas Majestades para o Andaraí, num dos carros convenientemente ornado para esse fim, levando em sua companhia, além dos membros do Gabinete, a família do Dr. Thomas Cochrane. Em outro carro, seguiram os diretores da empresa e alguns convidados, indo o maior número destes em ônibus (também puxados a burros), postos à sua disposição.

A viagem terminou sem acidentes na antiga chácara do Dr. F. A. Marques, onde foi servido um “lunch” a todos os presentes, findo o qual Suas Majestades regressaram à cidade. Na estação central, decorada com primor para essa cerimônia, uma banda de música tocou durante toda a manhã.

Havia, então, unicamente, dois carros em serviço, importados da Inglaterra. O carioca deu-lhes o apelido de “maxambombas”, talvez por analogia com os vagões da Estrada de Ferro D. Pedro II (atual Estrada de Ferro Central do Brasil), que, àquela época, já trafegavam até à povoação e antiga freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, em Iguaçu, na província do Rio de Janeiro, onde existia um engenho denominado “Maxambomba”.

A gravura mostra o primeiro bonde que circulou no Rio de Janeiro. A fotografia mostra a Escola Municipal Tiradentes

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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