Serviço de Auto-Ônibus

APESAR de haver o Decreto Municipal n.º 1.093, de 7 de junho de 1906, estabelecido que durante o prazo de vinte anos não seriam lançados outros impostos ou contribuições, além dos já previstos na então lei de orçamento, a todos quantos se propusessem fazer trafegar “ônibus-automóveis” no Distrito Federal, somente em 1908 apareceu aqui a primeira linha desses veículos, devendo-se a iniciativa do empreendimento ao Dr. Otávio da Rocha Miranda. Faziam estes primeiros auto-ônibus o percurso da Praça Mauá ao Passeio Público, com algumas viagens extraordinárias à Exposição Nacional, na Praia Vermelha.

Mais tarde, em 1911, o mesmo Dr. Rocha Miranda e Otávio Mendes de Oliveira Castro estabeleceram um serviço regular, por esse novo meio de transporte, entre o centro da cidade e a Praia Vermelha.

Passados dois anos, o Sr. Francisco Nilmar inaugurava também outra linha, da Rua dos Beneditinos à Praça da Bandeira.

A quarta linha de ônibus nesta Capital começou a funcionar em fins de 1916, sob os auspícios do engenheiro inglês H. L. Wheatley. Os carros eram conhecidos pelo nome de “auto-avenida”, porque percorriam de um extremo a outro a Avenida Central (hoje Rio Branco). Providos de rodas de borracha maciça, o sistema de tração era o elétrico (acumuladores), “sem barulho, vibração, fumaça e outros inconvenientes resultantes do emprego da gasolina”. No dia 5 de dezembro de 1918, a concessão foi transferida para a “Light” (atual Companhia de Carris, Luz e Força do Rio de Janeiro).

Passaram-se mais alguns anos e, em 1923, apareceram os chamados “auto-ônibus do Lopes”, com serviço regular para os bairros de Vila Isabel, Tijuca, Andaraí, Leblon, etc. Eram assim denominados por pertencerem ao capitalista Manoel Lopes Ferreira, estabelecido com negócio de loteria na Rua do Ouvidor.

O serviço de ônibus teve grande desenvolvimento no Rio de Janeiro a partir de 10 de junho de 1926, quando a Light lançou os luxuosos carros da “Viação Excelsior”, na linha Club Naval – Pavilhão Mourisco, ao preço de 400 réis por passageiro. Todos os veículos eram providos de regulador de velocidade, caixa coletora para recebimento das passagens e muitas outras novidades, inclusive a de não se permitir excesso de lotação.

Dois anos depois, no dia, 28 de abril de 1928, a mesma Companhia inaugurava, nas linhas Estrada de Ferro-Lapa e Club Naval-Leopoldina, os chamados “carros imperiais”, de dois pavimentos, que o espírito folgazão do carioca apelidou de “chope-duplo”.

A fotografia mostra um “chope-duplo”, em 1928.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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