Templo dos Ingleses

No dia 12 de agosto de 1819, comemorando o 57.º aniversário do Príncipe Regente George IV, do Reino Unido da Grã Bretanha, lançaram os ingleses residentes no Rio de Janeiro a pedra fundamental de sua capela, logo na entrada da Rua dos Barbonos (hoje Evaristo da Veiga), no pátio da casa que foi do bispo d. José Joaquim Justiniano Mascarenhas Castello Branco.

Igreja dos Ingleses de P. G. Bertichem. Lithographia Imperial de Eduardo Rensburg, Rio de Janeiro, 1856.

Foi simples a solenidade, tendo o primeiro capelão da igreja, rev. Robert Crane, pronunciado um pequeno discurso, em seguida ao qual foi depositada, nos alicerces do templo, uma garrafa contendo jornais ingleses do dia 14 de junho (últimos recebidos), moedas da época, uma lista de navios e um exemplar da “Gazeta do Rio de Janeiro”, que era a folha oficial e o único jornal que aqui se publicava.

Dedicada a São Jorge e a São João Batista, em homenagem ao Príncipe Regente da Grã-Bretanha e ao nosso augusto soberano D. João VI, deve-se a construção deste primeiro templo protestante no Rio de Janeiro à permissão contida no “Tratado de Amizade e Comércio” de 19 de fevereiro de 1810, cujo art. 12 preceituava: “Sua Alteza Real o Príncipe Regente de Portugal declara e se obriga no seu próprio nome e no de seus herdeiros e sucessores a que os vassalos de Sua Majestade Britânica, residentes nos seus Territórios e Domínios, não serão perturbados, inquietados, perseguidos ou molestados por causa de sua Religião, mas antes terão perfeita liberdade de consciência e licença para assistirem e celebrarem o serviço divino em honra do Todo Poderoso Deus, quer seja dentro de suas casas particulares, quer nas particulares Igrejas e Capelas que Sua Alteza Real agora e para sempre graciosamente lhes concede a permissão de edificarem e manterem dentro de seus domínios e conquista, contanto que as sobreditas capelas sejam construídas de tal maneira que exteriormente se assemelhem a casas de habitação e também que o uso de sinos não lhes seja permitido”.

Dizem que, ao se submeterem os planos dessa capela ao exame de D. João VI, ele os modificou, pois achava que as janelas não se pareciam às de casa particular, como exigido no “Tratado do Comércio”.

A princípio, fora escolhido um excelente terreno, defronte ao Passeio Público, com fundos até à Rua dos Barbonos, onde foi depois o Cassino Fluminense e é hoje o Automóvel Clube. Não se sabe por que motivo foi o mesmo desprezado e construído o templo nas proximidades do antigo largo da Mãe do Bispo.

A capela conservou-se tal como fora inaugurada, até fins do século passado XIX, quando foi completamente remodelada, segundo os planos do arquiteto Jannuzzi, desta vez apresentando forma exterior de templo, com janelas ogivais retangulares.

Depois dessa grande reforma, cuja inauguração se deu no dia 9 de maio de 1899, sofreu a Igreja de Cristo (“Christ Church”), em 1908, um recuo no seu gradil, para alargamento da Rua Evaristo da Veiga, que lhe diminuiu o pátio fronteiro, sem, contudo, afetar o prédio.

Ultimamente, porém, com os planos de remodelação da cidade e a construção de arranha-céus nas ruas do Centro, tornou-se evidente a impossibilidade de permanência do templo naquele local. O imóvel foi então vendido e, com o produto, adquirida a magnífica propriedade da Rua Real Grandeza n.º 99, onde foi erigida a nova igreja, realizando-se a cerimônia da pedra fundamental no dia 27 de maio de 1943 e a consagração a 29 de outubro de 1944.

A fotografia destacada mostra a Igreja Inglesa, por volta de 1915. A construção cingia-se ao gênero de arquitetura gótica. A gravura de P. G. Bertichem mostra a Igreja dos Ingleses em 1856.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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