Túnel Velho de Copacabana

OBRIGANDO-SE a Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, em 1890, a construir uma linha de bondes para servir ao bairro de Copacabana, tratou imediatamente de dar começo às obras de perfuração de um túnel, no fim da Rua Real Grandeza.

Túnel Velho, aproximadamente 1893/1894, por Juan Gutierrez (1859 – 1897) (Museu Histórico Nacional), via Wikimedia Commons

Diversas causas, no entanto, como a febre amarela, a varíola, o estado de sítio decretado pelo Governo, proibindo a entrada de dinamite nesta Capital e, ainda, o desleixo dos empreiteiros, fizeram com que as obras se interrompessem por diversas vezes.

Quando o engenheiro José de Cupertino Coelho Cintra assumiu a gerência daquela Companhia, cuidou logo de rescindir o contrato de empreitada e ele mesmo foi dirigir os trabalhos, atacando-os com afinco.

O menos que se dizia desse arrojado projeto era que “seria dispendiosíssima uma linha de bondes tão extensa, além da mais, por baixo de um morro, unicamente para apanhar caju e areia”, pois era só o que havia em Copacabana naqueles antanhos…

Reiniciadas, porém, as obras, eis que abundantes chuvas fizeram ruir enorme barreira à boca da galeria, do lado da Rua Real Grandeza.

As águas se incumbiram de levar dali para a aludida rua considerável massa de barro, facilitando desse modo o serviço de desentulho. Também, com a queda da barreira, o túnel teve a sua extensão diminuída em cerca de 10 metros.

Enquanto prosseguiam as obras de perfuração do túnel, trafegavam os bondes pela Rua São João Batista até ao fim da Rua Real Grandeza, ostentando a tabuleta “Copacabana – Real Grandeza”. A tabuleta provocava constantes interpelações do público:

– “Já se vai a Copacabana de bonde?”.

– “Sim, respondia o condutor, a Copacabana… do lado de cá”.

Túnel Velho de Copacabana – Alaor Prata

Oito meses foram gastos no trabalho de perfuração do túnel. No dia 15 de maio de 1892, o Dr. Coelho Cintra fez passar um desses veículos, pelo braço do operário, a muque, através da galeria de avançamento. “Antes – é ele quem conta – já havia feito passar para o outro lado os respectivos “trucks”, lá preparados à espera do “dono”… Os trilhos se achavam assentes desde a saída do túnel, do lado de Copacabana, até à altura da Rua Barroso (atual Siqueira Campos), no começo da ladeira, para o serviço de aterro, removido em ‘trolleys’. Quando este primeiro bonde, sem rodas, apareceu em Copacabana, ingleses foliões, funcionários do Cabo Submarino (Western Telegraph Co.), velhos e pacientes moradores de Copacabana, onde existia uma das raríssimas casas, que era também utilizada como estação telegráfica, “bisparam o mutilado”, naturalmente por meio de binóculos e, então, foi um espocar de foguetes que não acabava mais. Diversos pescadores acudiram, correndo até àquele ponto; souberam do acontecimento e aderiram à folia, dando vivas, quebrando ainda mais o silêncio daqueles desertos”.

Terminadas as obras, foi o tráfego da linha de bondes inaugurado no dia 6 de julho.

Só podiam transitar através desse túnel os bondes da Companhia Jardim Botânico; outros quaisquer veículos e mesmo pedestres estavam proibidos de atravessá-lo. A Companhia mantinha uma agência, no fim da Rua Real Grandeza, para vigiar, dia e noite, a impenetrabilidade do seu túnel. Somente em 1901 foi ele entregue ao livre trânsito público.

A fotografia destacada mostra o “Túnel da Copacabana” – como era chamado – com 6 metros de largura por 180 de comprimento. Com a abertura do Túnel do Leme, em 1904, ficou conhecido como “Túnel Velho”. Em 1927, foi alargado para 13,20 m, passando, desde então, a se denominar “Alaor Prata”. A segunda fotografia, de Juan Gutierrez, mostra a entrada do o Túnel Velho vista de Copacabana (atual Rua Siqueira Campos). A terceira fotografia, tirada em 2012, mostra a entrada da galeria superior do lado de Botafogo.

Custou o Túnel da Copacabana cerca de 500 contos, inclusive desapropriações.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Túnel Prefeito Alaor Prata (Túnel Velho)

Extensão (m) Largura (m) Faixas de Rolamento Inauguração Localização
182 13 2 1891 Ligando a Rua Real Grandeza à Rua Siqueira Campos.
Alargamento em 1925.
Em 1970, duplicado com laje intermediária, sendo o 1º túnel de 2 andares (Galeria Sobrepostas) da América do Sul entregue ao tráfego.

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