Visita à Fábrica de Gás

13 de setembro de 1886, poucos dias depois do Governo ter contratado com a “Société Anonyme du Gaz” os serviços de iluminação da cidade do Rio de Janeiro, foi a antiga Fábrica do Aterrado, no Mangue, visitada por D. Pedro II.

Foi um dia de festa para a empresa, S. M. Imperial ali compareceu às 11 ½ da manhã. Os Srs. Edouard Pécher e Joseph Ropsy-Chaudron, representantes da “Société”, que haviam solicitado a honra daquela visita, tinham convidado várias pessoas para acompanhá-los na recepção ao augusto visitante. Achava-se, assim, presente o ministro da Bélgica, vários membros do nosso Corpo Legislativo, o Dr. Nery Ferreira, Inspetor da Iluminação Pública, os ex-concessionários da iluminação da cidade, muitos engenheiros e representantes do comércio e de outras classes sociais.

Quando o Imperador entrou na fábrica, saudou-o o Sr. Pécher, com as seguintes palavras:

“Senhor: Digne-se Vossa Majestade Imperial permitir que, em nome da Société Anonyme du Gaz, eu agradeça a honra que ela recebe, vindo Vossa Majestade assistir ao trabalho, visitando as nossas oficinas e todo o estabelecimento fabril. A sociedade belga, tomando o encargo da execução do contrato de que é concessionária, encontrou tão grande aceitação na Europa, que dispõe hoje de 22.000.000 de francos para empregar no desenvolvimento do seu trabalho, e este fato demonstra a confiança que deposita na prosperidade deste grande Império, de que Vossa Majestade é o primeiro defensor. Pessoalmente, Senhor, eu, há longos anos ligado a este país, peço licença para beijar as mãos de Vossa Majestade Imperial”.

Começou, em seguida, a inspeção ao estabelecimento, percorrendo D. Pedro as salas das retortas, dos extratores, dos purificadores, dos aparelhos de condensação, os depósitos e as demais seções da fábrica, tendo o engenheiro Charles Bosquet explicado todos os serviços e processos da fabricação do gás.

Terminada a visita, foi servido aos ilustres convidados um lauto almoço, durante o qual foi novamente saudado o Imperador, levantando-se também brindes, ao Rei dos Belgas, à Bélgica industrial, ao Conde de Villeneuve, representante do Brasil naquele país, aos Srs. Pécher , Ropsy-Chaudron e Edouard Otlet, êste último presidente da “Société” , aos Srs. Ramalho Ortigão, Henri Brianthe e outros mais.

A festa terminou às 2 horas da tarde, tendo-se feito ouvir, durante todo o tempo, a banda de música do Arsenal de Guerra da Corte.

No dia seguinte, em sinal de agradecimento aos músicos, a diretoria da “Société” mandou 150$000 para a Caixa Beneficente daquela corporação.

A gravura de P. G. Bertichem de 1856 mostra a antiga fábrica do Aterrado, no Mangue (hoje Avenida Presidente Vargas n.º 2610).

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Texto original

Mapa