Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Chega-se ao Jardim Botânico logo depois de ter deixado à esquerda a Lagoa Rodrigo de Freitas. A viagem até lá, de bonde, pode consumir 50 minutos; de automóvel uns 20 a 25.

Jardim Botânico do Rio de Janeiro – P. G. Bertichem – 1856

É o mais conhecido estabelecimento público brasileiro. Ninguém visita esta Capital que não queira ver o Jardim Botânico. A luxuriante beleza dos vegetais nele cultivados é realçada pela formosa aleia de palmeiras, oferecendo desde o portão uma perspectiva admirável, e universalmente conhecida pela sua reprodução gráfica. São 134 palmeiras (Areca, de Linneu; Oreodoxa oleracea, de Martius), enfileiradas, duas a duas ao longo de uma avenida de 740 metros. E de nobre linhagem: São todas filhas da veneranda Palma Mater[1] que lá está, ainda, no mesmo lugar em que a plantou D. João VI, em 1809, quando lh’a trouxeram – exemplar único – do Jardim Gabrielle, Ilha de França.

A Palma Mater tem mais de 36 metros de altura. Celebrou-lhe condignamente o Centenário, em 1909, o então diretor, hoje falecido, Dr. Barbosa Rodrigues, inaugurando defronte dela o busto do seu real plantador.

Thomas Ender – Fábrica de pólvora no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, vendo-se a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Capela de Nossa Senhora da Conceição.

O Jardim Botânico pode-se dizer fundado em 13 de Junho de 1808, com o nome de Real Horto, anexo à Fabrica de Pólvora, instalada, então, onde fora o “Engenho da Lagoa”; somente em 11 de Maio de 1819 se tornou público sob a designação de Real Jardim Botânico e, então, anexado ao Museu Nacional. Em 1822 constitui-se Repartição independente ; hoje é subordinado ao Ministério da Agricultura e Comércio.

Teve como seu primeiro Diretor, no Império, o Carmelita Fr. Leandro do Sacramento, já Professor de Botânica na Escola Anatômica Cirúrgica e Médica, depois membro das Academias de Ciências de Munique e de Londres, e da Real Sociedade de Agricultura de Gand. Pela sua aptidão e pela sua capacidade de trabalho, este monge ilustre dotou o Jardim de melhoramentos ainda apreciáveis, organizou o catálogo das plantas então cultivadas, escreveu uma monografia das Euforbiáceas, e outras que foram publicadas em revistas alemãs.

A ele se devem as aleias majestosas de mangueiras, nogueiras, jaqueiras, longanas, cravos da Índia; e as cercas de murta, de cróton, de hibisco que ainda hoje fazem o encanto dos visitantes do Jardim; são obra sua a Cascata, o Lago onde floresce a Vitória Régia; e, onde ele fez a original “Casa dos Cedros”, ergueu-lhe, em 1893, o Dr. Barbosa Rodrigues, o monumento comemorativo da sua existência útil.

Chafariz das Musas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro

São, realmente, muito agradáveis as horas empregadas em percorrer este grande horto cruzado por cinco ruas, treze aleias, sete vielas, quatro passagens e uma azinhaga, com a extensão total de 6.500 metros lineares. A Ciência neste jardim entrelaça-se com o pitoresco. A flora de quase todos os países nele está representada por belos exemplares atentamente cultivados e classificados. Tem Biblioteca, Herbário e Museu.

Centenário sem decrepitude, velho de uma mocidade constante, seminário opulento, em correspondência com quase todos os jardins do mundo, e um vasto cenário de amor, casando-se a beleza das perspectivas com a beleza dos produtos gerados ao cicio da brisa por entre a folhagem, e no seio balsâmico de aromas sutis.

É seu diretor atual o ilustre Professor Dr. Pacheco Leão.

Nota do editor

  1. Palma Filia: Palmeira Imperial Roystonea oleracea (Jacq.) O. F. Cook (Palmae) Originária da região do Caribe. Plantada em substituição a Palma Mater, fulminada por um raio em 1972, a Palma Filia é oriunda de uma semente da palmeira original.

Fonte

  • Rosa, Francisco Ferreira da. Rio de Janeiro em 1922-1924. Rio de Janeiro: Typographia do Annuario do Brasil (Almanak Laemmert), 1924. 222 p. (Coleção Memória do Rio 3 - Reprodução).

Galeria de Imagens

Imagem destacada

  • Planta insetívora no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Mapa – Contorno do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Jardim Botânico do Rio de Janeiro