Um Passeio pela Cidade do Rio de Janeiro

Um Passeio pela Cidade do Rio de Janeiro

  • Macedo, Joaquim Manuel de. Um Passeio pela Cidade do Rio de Janeiro. Edição revista e anotada por Gastão Penalva e prefaciada por Astrojildo Pereira. Rio de Janeiro: Livraria Editora Zelio Valverde, 1942. (Edições do Senado Federal, vol. 42, Brasília, 2009).

A Capela e o Recolhimento de Nossa Senhora do Parto (I)

I OU César ou João Fernandes. Assim diz um rifão antigo, que com essa injustíssima e cruel antítese faz no nome e sobrenome João Fernandes um sinônimo de nonada, como outro fez também de Manuel de Sousa um sinônimo de tolo. Protesto contra esses rifões revoltantes e iníquos, e comigo protesta igualmente o Brasil, que...

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A Capela e o Recolhimento de Nossa Senhora do Parto (II)

II O vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa, apesar de ter já empreendido e adiantado diversas e importantes obras na cidade do Rio de Janeiro, não pôde ver a decadência e a ruína em que se achavam a capela e o recolhimento de N. S. do Parto sem sentir vivos desejos de regenerar uma e outro....

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A Capela e o Recolhimento de Nossa Senhora do Parto (III)

III Estava aberto o caminho da perdição de Matilde, e para precipitá-la por ele conspiravam o ciúme, a vaidade ofendida, o amor justamente ressentido, um espírito exaltado, uma natureza ardente e a educação mal dirigida. E além de tudo isso, velava sinistra ao lado de Matilde a traição com a máscara da amizade. – Vingar-me-ei!...

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A Capela e o Recolhimento de Nossa Senhora do Parto (IV)

IV Ana Campista e Matilde tinham-se encontrado no recolhimento do Parto. Mas um ódio inflexível as separava para sempre. Eram ambas criminosas, estavam ambas igualmente corrompidas pelo vício. Matilde, porém, era ainda menos repulsiva do que Ana Campista. O tempo foi correndo, e pouco e pouco caiu no esquecimento a história das desordens e loucuras...

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A Capela e o Recolhimento de Nossa Senhora do Parto (V)

V Enquanto com energia e atividade se empregavam todos os meios para atalhar o incêndio que devorava a capela e o recolhimento de N. S. do Parto, o vice-rei Luís de Vasconcelos ocupava-se também das pobres recolhidas que não podiam ficar na rua, nem acolher-se onde o seu recato não estivesse plena e religiosamente defendido....

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Convento de Santa Teresa (I)

I Nos meus anteriores passeios já vos ocupei bastante com a longa história de um palácio e de um jardim. No palácio vimos os grandes da terra, um governador, alguns vice-reis, uma rainha, um rei, dois imperadores, princesas e príncipes; vimos a falange lisonjeira e inconstante dos cortesãos, falange que, à semelhança do mar, tem...

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Convento de Santa Teresa (II)

II Por mais que se esconda no seio profundo do bosque, a baunilha se anuncia ao longe pelo ativo perfume que em torno derrama, e de que as auras que passam voando levam as asas embalsamadas. O retiro a que se acolhe às vezes a virtude, a modéstia com que esta se furta à admiração...

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Palácio Imperial (I)

I Eis-nos em frente do Palácio Imperial, no Largo do Paço. Por onde viemos para chegar aqui, e como nos achamos de improviso neste lugar, é o que não importa saber, nem eu poderia dizê-lo. Consolemo-nos desta primeira irregularidade do nosso passeio; além de nós, há por esse mundo muita gente que se acha em...

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Palácio Imperial (II)

II Fiz muito bem não fechando o parêntesis que abri ao terminar o meu artigo precedente. Antes de prosseguir na descrição cronológica do palácio imperial, preciso dar ainda algumas explicações que se referem aos costumes do tempo dos vice-reis. É verdade que a Justiça e a Fazenda moravam com o vice-rei debaixo do mesmo teto;...

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Palácio Imperial (III)

III O antigo convento dos carmelitas exige agora também um breve estudo. Fazendo parte do palácio desde 1808, não pode ficar esquecido sem ofensa à exatidão histórica. Um simples passadiço converteu aquele edifício de casa de frades em paço real; mudando-lhe, porém, a natureza, não lhe pode mudar o parecer, e o antigo convento conservou...

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Palácio Imperial (IV)

IV Sou agora obrigado a dar um salto enorme, um salto do ano de 1808 e da época do reino do Brasil, da que me ocupava estudando o palácio imperial, para dois séculos e mais alguns lustros antes. Assim é preciso fazer, visto que me comprometi a dar a história antiga da casa que foi...

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Palácio Imperial (V)

V Na manhã do dia 26 de abril de 1821, quando o príncipe regente do Brasil acabava de receber as últimas despedidas de seu augusto pai, e a nau Dom João VI [1], abrindo suas brancas asas, começava a cortar as águas do plácido janeiro para levar a Lisboa a família real, dois velhos criados do...

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