Floresta da Tijuca

As Cascatas da Tijuca constituem um dos panoramas mais pitorescos das cercanias do Rio de Janeiro. A estrada que para lá conduz atravessa o bairro de Mata-Porcos, perto do Palácio Imperial de São Cristóvão, e segue o riacho de Tijuca na encosta setentrional do Corcovado, passando ora entre férteis plantações de laranjeiras, de bananeiras, de café, ora no meio de bosques floridos de tufos de trepadeiras, ora enfim por baixo de grupos isolados de magníficas palmeiras ou de árvores de espessa folhagem, restos da antiga floresta virgem. E, à medida que nos afastamos da cidade e penetramos mais profundamente os vales rochosos dessas montanhas, tais árvores se tornam mais frequentes, mais copadas e vigorosas. A mais ou menos uma légua do Rio de Janeiro, um riacho se precipita dos cimos mais elevados do Monte Tijuca e joga-se de uma parede rochosa de 150 pés mais ou menos de altura. Outro riacho, que corre ao sul, forma também várias cascatas tão grandes e imponentes como as primeiras, mas bem inferiores quanto ao pitoresco e ao ambiente. O corte dos rochedos, o movimento da água espumante e borbulhante, são tão admiráveis quanto os das quedas de água do Velho Continente. A riqueza da vegetação é imensa; e a umidade agradável, a frescura desse lugar, parecem dar-lhe um vigor novo e realçar a magnificência de suas cores, de maneira que o brilho das flores que se vêem nos arbustos, nas árvores e nas plantas, só é ultrapassado pela multidão e a magnificência das borboletas, dos colibris, e de outros pássaros de variegada plumagem que aí procuram abrigo contra o ardor sufocante do sol.

Um pintor francês de talento, o Sr. Taunay, construiu, num pequeno corte em frente da cascata, sua agradável residência, onde moram hoje dois de seus filhos numa solidão e sossego dignos de inveja, gozando da abundância de maravilhas de que a natureza foi pródiga aí.

Ao pé da Tijuca, do lado sul, existe um grande lago chamado Jacarepaguá; nele se jogam os regatos que descem das montanhas cujos rochedos e florestas se refletem em suas águas. Durante a maré alta enche-se o lago de água salgada, pois está ligado ao oceano por um estreito canal; a sudoeste é ele limitado pelo rochedo colossal da Gávea. Do pé deste rochedo parte um caminho, em muitos lugares difícil, por causa dos areões profundos, mas, que compensa tal inconveniente pelos panoramas magníficos que oferece, de um lado sobre o mar e de outro sobre o Corcovado e a montanha oposta, chamada dos Dois Irmãos. Passando perto do Jardim Botânico, esse caminho conduz da Lagoa Rodrigo de Freitas a Botafogo, onde as belezas pitorescas desse país encantador se desenvolvem com maior variedade ainda. Por isso, essa enseada, que duas estradas unem ao Catete, e que se acha afastada da cidade apenas uma légua, é principalmente habitada por europeus e está cheia de lindas vivendas e de jardins muito agradáveis. A costa de leste e a do norte, que se estendem de São Cristóvão à Ilha Grande, são, do ponto de vista pitoresco, inferiores às regiões que acabamos de descrever e às cercanias do Rio de Janeiro; as formas das colinas e das montanhas só voltam a tornar-se pitorescas quando deixamos a baía e que, subindo os pequenos rios, nos aproximamos dessa cadeia que forma, ao norte, o fundo do quadro da baía do Rio de Janeiro.

Fonte

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Imagem destacada

  • Louis-Jules-Frédéric Villeneuve (1796-1842). Cascata da Tijuca. Fonte Johann Moritz Rugendas (1802-1858), no livro Viagem pitoresca através do Brasil. p. [gravura 12]. Via Biblioteca Nacional.

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