Melhorias progressivas do Palácio de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista) no período de 1808 a 1831

Quinta Real da Boa Vista ou Palácio de São Cristóvão

A quinta real da Boa Vista deve seu nome à sua bela situação e apresenta o duplo interesse da transformação de uma simples casa de campo em palácio real, através de melhoramentos sucessivos determinados pelo crescimento do Brasil. Simples residência de um rico colono, escolhida pelo príncipe real D. João VI, em 1808, para sua permanência habitual, São Cristóvão passou por algumas reformas indispensáveis a fim de abrigar o soberano e sua filha mais velha, casada com o infante de Espanha, D. Carlos.{I]

Pouco tempo depois, um arquiteto inglês, de passagem pelo Rio de Janeiro, substituiu à simplicidade uniforme dessa chácara uma decoração exterior de estilo gótico muito mais digna de uma Corte europeia. Pudemos ver, à nossa chegada, um dos quatro pavilhões projetados para os cantos do edifício já terminado em 1816, época em que aquele artista inglês deixou o Brasil. Logo após a solenidade da coroação do Rei e do casamento do príncipe D. Pedro, exigindo o castelo nova reforma, a Corte dela encarregou um arquiteto português, então empregado como pintor de cenários (252), o qual naturalmente, voltou ao estilo português.

Lago maior com as esculturas de D. Nicolina Vaz de Assis “0 Canto das Sereias” e o “Templo em Ruínas”, bela colunata dórica sobre uma ilhota. Vê-se, também, o Pagode e o Museu Nacional.

Assim ficaram as coisas até 1822, ano em que a ascensão de D. Pedro ao trono imperial exigiu uma distribuição interna de um caráter mais elevado, começando-se então a construção do segundo pavilhão da fachada principal do palácio. Mas a morte de Manuel da Costa, em 1826, levou o Imperador a contratar um jovem arquiteto francês (253), já a seu serviço, o qual apresentou projetos de completa remodelação, infinitamente preferíveis pela pureza de estilo. Executados com rapidez, o exterior do segundo pavilhão bem como a fachada do edifício principal já se achavam terminados em 1831, quando o Imperador e o arquiteto foram obrigados a se retirar para a França. Desde então, e até 1836, o palácio Imperial não sofreu nenhuma reforma.

Assim terminaram, por conseguinte, todos os esforços em prol da implantação do luxo europeu nessa vivenda em que, graças ao seu isolamento, D. João VI começara a se refazer da terrível catástrofe que o exilara para o Brasil. Nesse retiro passou ele doze anos bastante tranquilo, tendo sido arrancado daí por um movimento político ocorrido em Lisboa, a 22 de abril de 1821, no décimo quarto ano de sua residência no Brasil. Palácio que merecia um destino mais elevado, foi abandonado dez anos mais tarde, mês por mês, a 7 de abril de 1831, após 23 anos de residência, por D. Pedro I, Imperador do Brasil.

Nessa ilustre solidão, D. Pedro I criança desenvolvera suas faculdades físicas; aí gozara, adolescente, as doçuras do casamento e da paternidade e suportara, ainda jovem, o terrível peso de uma coroa imperial. Cheio de brilhantes recordações, hoje simples residência de recreio, privada de suas grandes e resplendentes recepções, de suas importantes conferências diplomáticas, o palácio de São Cristóvão ainda tem a honra de receber a jovem família reinante, que vem repousar de quando em quando do jugo do estudo imposto a uma grandeza prematura.

Notas do Autor

  1. Manuel da Costa.
  2. Pézérat.

Nota do Editor

  1. Carlos de Bourbon, Conde de Molina, nascido Carlos María Isidro Benito de Borbón (Aranjuez, 29 de março de 1788 — Trieste, 30 de março de 1855), conhecido na literatura lusófona pela designação de Infante Carlos de Bourbon, foi o pretendente ao trono de Espanha que esteve na origem do carlismo e das guerras carlistas que dilaceraram aquele país durante boa parte do século XIX. Casou em segundas núpcias com D. Maria Teresa de Bragança, a Princesa da Beira, irmã da sua primeira esposa, não deixando descendência deste casamento. (Wikipédia)

Fonte

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  • Melhorias progressivas do Palácio de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista) no período de 1808 a 1831, por Jean Baptiste Debret, via NYPL.

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Quinta da Boa Vista